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5 coisas para saber ANTES de captar investimento

Publicado em 23.05.2022

5 coisas para saber ANTES de captar investimento

Você viu as notícias? Temos novos unicórnios tupiniquins e startups brasileiras sendo negociadas nas bolsas ou vendidas por alguns bilhões de dólares. Se sim, aposto que essas notícias sempre despertam ainda mais o seu interesse pela captação de investimento. Acertamos?

O objetivo da captação de investimento é acelerar o desenvolvimento da startup e suas áreas de negócio, conforme o momento e grau de maturidade dessa sua startup.

Mas antes de mais nada, todo empreendedor deve saber que essa decisão tem reflexos na sua vida pessoal e não apenas na startup.

Quer saber como Nubank, RD, Conta Azul obtiveram sucesso com a captação de investimento? Vamos te contar as 5 ações que você deve tomar ANTES MESMO de buscar investimento.

1) Captação de Investimento, uma decisão sem volta

Como comentamos, a decisão de começar a receber investimento é importante para a startup e também para os empreendedores, sendo um caminho sem volta. Mas por quê?

Bem, caso o empreendedor opte por captar investimento, deverá ter consciência de que, a partir daquele momento, terá mais responsabilidade pelo seu negócio. 

Afinal, agora além da responsabilidade junto aos seus sócios, clientes, colaboradores, terá responsabilidade sobre o dinheiro do investidor.

Lembre-se que o investidor quer fazer com que o dinheiro investido na sua startup se multiplique, por isso, irá cobrá-lo por resultado e crescimento constantes para, no futuro, poder vender a participação que possui. 

Ou seja, você estará respondendo a alguém que acreditou e investiu na sua proposta. Desistir fica ainda mais fora de cogitação.

Então, pense muito bem. Longe de ser uma moda, a decisão de buscar aportes financeiros vai interferir na sua vida como empreendedor por muito tempo. Você está pronto(a) para isso? 

2) Cada momento da sua startup requer uma modalidade de investimento

Tomada a decisão, é hora do show. Ou melhor, de preparar os bastidores.

Cada rodada de investimento envolve um desafio específico, conforme o momento da sua startup e a sua estratégia de crescimento. Os tipos de investimento mais comuns são:

  • Family, Friends and Fools: Se você acabou de começar a sua startup, não possui um modelo de negócio definido e não possui clientes, os recursos que você utilizará virão – provavelmente – do seu próprio bolso ou de  amigos, familiares e conhecidos. 
  • Investimento Anjo: Depois de entender o produto e começar a validá-lo no mercado, as portas ficam abertas para Investidores Anjo. Eles investirão, em regra, até 500 mil reais na sua startup. Esse dinheiro deve ser utilizado na construção do time inicial e no desenvolvimento do MVP (minimum viable product).
  • Seed: Com mais maturidade, clientes ativos e um produto validado no mercado, capital pode ser o que falta para expandir o consumo da solução oferecida pela sua startup. Nesse momento, entra em cena a rodada Seed, que pode vir de pessoas físicas ou de fundos de investimento. Os valores das rodadas Seed giram em torno de 1 ou 2 milhões de reais, a serem utilizados para aprimorar a tecnologia, vendas e começar a expansão local.
  • Venture Capital – Série A: Se você já encontrou o fit no mercado (o Product Market Fit), é o momento da Série A . Essa é a prova de fogo do seu negócio! Aqui reside a maior taxa de mortalidade das startups. Nela, os aportes giram entre 1 a 10 milhões de reais e serão destinados a expandir o seu negócio e começar a trabalhar a escalabilidade da sua operação.
  • Série B e C: Com a organização profissionalizada e produto otimizado, além de processo comercial, CS, marketing e outros aspectos bem estruturados, a ideia é estar crescendo 200, 300, 400% ao ano, captando sucessivas rodadas de investimento. Série B, Série C e Growth Capital vão ajudar a alcançar esse crescimento.
  • Private Equity:  É a etapa de consolidação, de se tornar líder de mercado, fazer aquisições de competidores ou de outras empresas que auxiliem no seu crescimento. Com objetivo de consolidação de mercado e posterior abertura do capital via IPO, o Private Equity entra como aporte realizado a partir dos 100 Milhões de reais. 

3) Defina o objetivo da captação: para que será o valor captado?

Como você pôde observar, cada investimento entra em cena para cumprir um papel específico.

O aporte, na verdade, é uma alternativa de mercado dentre tantas outras – como financiamento bancário, joint venture, adiantamento de recebíveis, entre outros. Ele deve fazer parte da estratégia do seu negócio.

Então, saiba o que pretende fazer com os valores obtidos na captação antes mesmo de procurar por ela.

Se você não sabe exatamente por que precisa daquele valor – nem como, quando e no que pretende gastá-lo –, as chances de fazer uma má gestão e queimar todo o investimento sem gerar resultados são altas. Isso se você consegui-lo.

Por isso, use com inteligência, planeje-se. Defina como pretende utilizar os recursos e quais objetivos pretende alcançar através deles. Além disso, saiba que, normalmente, os valores das rodadas de investimento devem ser utilizados durante um prazo para que você capte uma nova rodada de investimento.

Empresas que não crescem o suficiente ou não captam novos investimentos dentro dos prazos mais praticados – de 18 a 24 meses – simplesmente “esfriam” no mercado e morrem.

Afinal, mais que ajudar a sua própria organização, esse processo tende a atrair investidores porque transmite confiança de que você sabe como fazer dinheiro virar resultado.

Lembra quando dissemos que o primeiro aporte é uma decisão sem volta? Pois bem, ele é apenas o começo de uma nova jornada.

4) Arrume a casa para impressionar

Com tudo definido, falta encantar os possíveis investidores.

Primeiro, entenda que toda startup passa por um momento em que precisa organizar a casa para conseguir continuar crescendo.

A verdade é que, no começo, o foco realmente precisa ser no produto. E o empreendedor acaba deixando de lado aquilo que considera mais burocrático.

O problema é que essa conta chega e não adianta ter o melhor produto do planeta sem uma estrutura corporativa que comporte as necessidades básicas do mercado – ainda mais quando falamos de investimento, porque essa estrutura transmite confiança e credibilidade.

Os investidores estão aportando dinheiro na sua startup e eles têm consciência que essa modalidade de investimento traz consigo muitos riscos. Isso é consenso.

Porém, eles não querem estar submetidos a outros riscos que não tenham relação com o próprio negócio, mercado e produto. Ou seja, riscos previsíveis que, quase sempre, poderiam ser evitados se sua empresa estivesse dentro dos conformes “burocráticos” 

Por isso, qualquer investimento fará uma Due Diligence antes de investir.

A Due Diligence é uma auditoria que engloba questões tributárias, trabalhistas, contábeis, financeiras, jurídicas e de negócio de forma geral.

Estar preparado para a Due Diligence e organizado juridicamente será essencial para que ela seja mais rápida e para sua rodada de investimento acontecer de fato.

Por isso, profissionalize as áreas da sua empresa e tenha todos os documentos à mão com antecedência. Assim, na auditoria, você não precisará correr atrás de nada.

5) Saiba o que será negociado

Captação de investimento é vendas. É negociação. Por isso, saiba o que você poderá negociar.

Você verá que o contrato de investimento diz muito mais do que apenas quanto você vai captar e qual será o percentual destinado ao investidorAs cláusulas do contrato de investimento terão reflexos importantes para o seu futuro da sua startup, então conheça muito bem cada uma delas.

Abaixo, esclarecemos alguns dos direitos mais vistos nos contratos:

  • Direito de Veto: É o direito que o investidor tem de poder vetar determinada decisão. Normalmente, as decisões que o investidor pode vetar envolvem a mudança do negócio ou são questões que impactam diretamente a participação desse investidor. Tome muito cuidado com o direito de veto e avalie muito bem 2 pois você pode acabar na mão do investidor para tomar as principais decisões de negócio. Nós indicamos que o investidor não possua direito de veto até a Série A, ok?
  • Lock up:  O Lock Up é o dever do empreendedor de se manter dedicado integral e exclusivamente à startup. Tradicionalmente, o prazo do Lock Up é de 3 a 4 anos, mas poderá variar conforme a negociação. Sugerimos que esse prazo não seja tão menor ou maior… sob pena do empreendedor ficar amarrado demais ou do investidor submetido ao risco do empreendedor deixar a startup. 
  • Tag Along: O Tag Along é o direito de venda conjunta, que tem como objetivo proporcionar maior liquidez ao investimento. A cláusula de Tag Along diz o seguinte: caso haja alguma nova rodada de investimento ou venda de participação pelos empreendedores, o investidor poderá impor a venda da sua participação em conjunto com o empreendedor ou a sociedade. Essa é uma das cláusulas menos discutidas, e indicamos que seja adicionada em todo contrato de investimento. Apenas tome cuidado com a sua redação, combinado?
  • Drag Along: O Drag Along é o direito de arrastamento, ou seja, quando houver o interesse de venda do controle da startup, aquele que recebeu a proposta pode importar a venda dos demais, desde que nos mesmos termos do que foi proposto ao vendedor inicial. O Drag Along pode estar nas mãos do investidor ou do empreendedor! A diferença será apenas em quem poderá acionar o Drag Along. Indicamos que ele esteja nas mãos do empreendedor, somente ele podendo acionar esse direito. Caso esteja nas mãos do investidor, adicione algum gatilho, por exemplo, valuation mínimo de X vezes o ARR. 
  • Preferência de liquidação: É uma das cláusulas mais importantes dos deals a partir da Série A. Ela conste no direito do investidor de recuperar seu investimento antes dos fundadores e colaboradores em um evento de liquidez (exemplo: venda da empresa). A preferência de liquidação tem algumas variações, por exemplo, Participating vs. Non-Participating, sendo o padrão de mercado 1 x Non Participating.  

Conclusão

No mercado da inovação, é preciso ter flexibilidade, adaptabilidade, reagir rapidamente às mudanças e saber improvisar.

Porém, o sucesso não conta apenas com improvisos.

Investir em startups já é arriscado o suficiente! Afinal, nem sempre produtos inovadores conseguem ter aderência no mercado, morrendo prematuramente.

Portanto, mais que um produto genial e empolgação de quem o desenvolveu, investidores querem todas as garantias possíveis de que podem confiar em você.

Então arrume a casa antes de chamar um convidado. Faça para impressionar.

E nem precisa lidar com aquelas tais burocracias de frente. Você pode buscar empresas especializadas no mercado de tecnologia que poderão resolver esse lado enquanto você continua focando na sua operação.

Aqui na C2R Advocacia, por exemplo, preparamos nossos clientes para a Due Diligence adequando todos os aspectos jurídicos. Justamente para que eles não precisem internalizar o jurídico antes sequer de conquistar escalabilidade.

Até lá, uma boa dica é entender como ficará sua participação na empresa após o investimento. Afinal, você não quer perder todo o controle dela para um terceiro, quer? 

Temos um artigo sobre Cap Table perfeito para tirar suas dúvidas sobre o assunto, confira aqui.

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